Região | ESDRM: António Moreira – fundamentos de uma candidatura

ESDRM vai a votos em novembro e António Moreira já se apresentou publicamente como candidato a diretor.

António Moreira quando apresentava publicamente a sua candidatura a diretor da Escola Superior de Desporto de Rio Maior. Na mesa, também Susana Franco, mandatária da candidatura.

Há mais de 20 anos na Escola Superior de Desporto de Rio Maior, ESDRM, no dia 1/10/2018 o Professor Doutor António Moreira apresentou publicamente, no Hotel Paulo VI, a sua candidatura a diretor desta escola do Instituto Politécnico de Santarém.

A ESDRM vai a votos em meados de novembro próximo, para eleger o sucessor do Professor Doutor João Moutão por este ter interrompido o seu mandato que terminaria nos primeiros meses de 2019, para assumir uma das duas vice-presidências do IPSantarém  agora presidido pelo Professor Doutor José Mira de Villas-Boas Potes.

Tendo como mandatária a Professora Doutora Susana Franco, também ela uma das mais antigas docentes da ESDRM, António Moreira declara que a sua candidatura corresponde a “um imperativo de consciência” que terá decorrido de uma decisão da atual assembleia de escola no sentido de eleger o novo diretor, o que se lhe afigura “não ser a solução mais correta” por o já ter feito quando elegeu o diretor cessante, estando de mais a mais “a poucos dias de uma situação normal de iniciar o processo da sua própria substituição como assembleia de escola”. Moreira espera, com a sua candidatura, “promover uma discussão alargada entre estudantes, não docentes e docentes, daquilo que pode ser a vida da Escola nos próximos 20 anos” e não está nada satisfeito “com o facto de serem apenas 15 as pessoas que escolhem o diretor”, discordância que tem assumido ao longo do tempo, mas é o “regime” a que a sua candidatura se submeterá.

No fundo o que está em causa neste render da guarda na ESDRM é, a par “de se escolher e votar em projetos, votar também em pessoas” e se “os projetos são muito importantes, as pessoas que vão fazer executar esses projetos também são importantes, tal como o são as pessoas que estiverem na execução desses mesmos projetos”, comentou o candidato.

A candidatura de António Moreira desenvolver-se-á ao longo de três eixos:

  1. Formação e investigação
  2. Funcionamento e organização da Escola
  3. Intervenção institucional no âmbito do desporto (relacionamento da escola com o seu exterior)

Formação e investigação.

  • Focar a atenção nas atividades de ensino e investigação e promover a melhoria e eficiência de competências de suporte de organização e de gestão.
  • Redução do trabalho que não gera valor.

Funcionamento e organização da Escola.

  • Envolver docentes e não docentes e criar um clima propício para o crescimento e para a redução das tensões existentes. A este respeito, António Moreira defende que “uma instituição com cerca de 100 docentes, 20 funcionários e 1 000 alunos tem, naturalmente, uma organização de espaço de liberdade e de confrontação de ideias de pessoas com formação superior, por vezes com situações de conflitualidade e de tensão que devem ser geridas por quem tem essa responsabilidade, de forma a promover o bem comum e não a exacerbar acantonamentos que não levam a lado nenhum, geram é confrontos estéreis que não promovem desenvolvimento e isso é tudo o que nós não queremos”.

Intervenção institucional no âmbito do desporto.

  • Promover a Escola de modo que os seus órgãos e docentes tenham papel preponderante junto dos decisores políticos no âmbito da Educação, do Ensino Superior e do Desporto.
  • Investir tempo e conhecimento naquilo que pode fazer a diferença.

Nestas matérias, o candidato advoga: “Não basta que digamos que somos bons, que somos importantes, é preciso que as instituições de decisão política e de decisão desportiva do país nos deem esse reconhecimento.”

Algumas medidas preconizadas

  1. Quem dirige tem que ter visão a longo prazo, “ver” o futuro.
  2. Debater o que é e deve continuar a ser a diferenciação da Escola, na oferta formativa, nas profissões do Desporto e aquilo que serão as necessidades em profissões na próxima década e daqui a 20 anos.
  3. Apostar numa formação pós-graduada com forte cariz profissionalizante (formações de relativa curta duração, altamente especializadas, que permitam catapultar períodos públicos globais (perceber que a ESDRM pode beneficiar de mercados como os PALOP, o Extremo Oriente, a América do Sul e fundamentalmente a Europa, para promover essas formações tecnicamente elaboradas).
  4. Aprovada a regulamentação dos novos graus e diplomas do ensino superior há que estar à frente. Repensar os que são os testes. Repensar qual é o posicionamento da Escola em relação ao grau de doutor.
  5. Tentar que cada um faça o que melhor sabe e gosta de fazer.
  6. Colocar a Escola novamente no mapa das instituições. “Se queremos ser os melhores do mundo, é para estarmos em primeiro, não é para estarmos em terceiro”, comentou o candidato, apontando: “Temos condições para sermos os primeiros a nível do cluster do Desporto na cidade, ao nível das instalações, da relação com o Município e não há nenhuma outra instituição que tenha o mesmo peso económico, institucional e sociológica nesta terra como tem a Escola Superior de Desporto que coloca em Rio Maior mais de 1 000 000 (um milhão) de euros por mês.”

A assistência à conferência de imprensa de apresentação da candidatura de António Moreira a diretor da ESDRM.

A questão da Residência de Estudantes

Já num período de diálogo com a assistência, indagado sobre a questão da Residência de Estudantes da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, que não ata nem desata, “temos que fazer com que a Residência seja uma realidade com um projeto e não uma promessa, venha essa promessa de quem a pode ou deve cumprir ou de quem gosta de a fazer – e para bons entendedores meia palavra basta”, declarou António Moreira.

Para o candidato, há necessidade de se ter cada vez mais estudantes a residir em Rio Maior.  Além do caso dos estudantes carenciados que sem o apoio da Residência dificilmente conseguem pagar o alojamento, acabando por desistir, o problema é mais complexo: existe a questão da oferta capaz de responder a uma procura que permita “termos gente a poder estudar e viver no sítio onde estuda; Rio Maior tem muitos centros urbanos à volta, uma rede de transportes miserável como no resto do país e as pessoas ou andam de automóvel ou não têm forma de se deslocar ou estão muito limitadas nas suas deslocações e portanto a residência aqui na cidade é um factor crucial” para os estudantes, sendo que assim muitos deles poupam no ir e vir das suas localidades de origem e ficando, não só se integram melhor no espírito académico como podem participar em trabalhos de grupo. A este respeito faz ver António Moreira: “A maior diferença entre as licenciaturas de 5 anos como foi a minha e a de 3 anos como é agora não é no que se andava a aprender, porque isso tanto se aprende nos 3 anos como nos 5, é sim o caldo de cultura que se aprendia em 5 anos e não se aprende em 3 anos, portanto estar em Rio Maior e viver o ambiente académico é diferente de andar de lá para cá.”

“É fundamental a Residência. Já falei com quem tem a responsabilidade de fazer a decisão da inscrição no Orçamento de Estado e para verem este assunto com o cuidado que merece”, adiantou o candidato a diretor da ESDRM.

“Este ano a dotação orçamental para o Instituto Politécnico de Santarém é de pouco mais de 13 milhões de euros e a dotação da Segurança Social está foram desse montante. Os 13 milhões mal dão para o funcionamento do Politécnico. Ora, para se fazer a Residência é preciso dinheiro, quem o tem é o Governo e portanto nós temos é que pressioná-lo a pôr a Residência no Orçamento de Estado mas isso legitima-se com o nosso posicionamento político – não partidário”, argumentou António Moreira.

“Rio Maior só se desenvolveu quando alguém, seja do lado do PSD seja do lado do PS que foi quem teve a responsabilidade do Município, conseguiu ter peso político fora de Rio Maior. É assim que a questão da Residência tem que ser resolvida. Será uma luta que compete a todos. O que temos de dotação orçamental são 130 mil euros, para o estudo prévio do projeto. Ora os estudantes de hoje, que têm bastante informação, não se devem deixar levar por 130 mil euros para um esquiço do projeto. O projeto custa cerca de 800 mil euros. Precisamos desse dinheiro para avançar com o projeto e precisamos de fazer a obra. Uma das questões que aqui está, com a formação especializada de âmbito global é arranjar receitas próprias que permitam dizer ao Estado que tem que pôr dinheiro na dotação orçamental porque nós suportamos bem a responsabilidade e garantimos este desenvolvimento”, rematou o candidato à sucessão de João Moutão.

Texto e fotos: Carlos Manuel

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Um Comentário

  1. António Madeira diz:

    Face à notícia que saiu no região de Rio Maior é me dever http://www.regiaoderiomaior.pt/…/regiao-es… aqui relembrar os intervenientes que segundo o calendário escolar a campanha ainda não começou, aliais é típico neste pseudocandidato porque para todos os possíveis elegíveis ainda não abriu o prazo para apresentação de candidaturas que só irá decorrer entre os dias 09 a 17-10-2018.
    Fico ao mesmo tempo espantado como é que outros docentes ligados à ESDRM ainda vão nesta cantiga.
    Refere o pseudocandidato que a presente Assembleia de Escola para todos os efeitos FOI LEGALMENTE ELEITA E ENCONTRA-SE TAMBÉM LEGALMENTE EM FUNÇÕES, não deveria eleger o próximo diretor.
    O pseudocandidato afirma que pretende “promover uma discussão alargada entre estudantes, não docentes e docentes", ora como é que isso será possível se praticamente ninguém da comunidade escolar pode com ele, à exceção de muito poucos.
    O pseudocandidato afirma também que não está nada satisfeito “com o facto de serem apenas 15 as pessoas que escolhem o diretor”. Neste ponto concordo com o pseudocandidato, mas nunca vi o pseudocandidato apresentar qualquer proposta de alteração de regulamentos, a afirmação do pseudocandidato só pode ser por pura demagogia.
    O pseudocandidato refere também que "Envolver docentes e não docentes e criar um clima propício para o crescimento e para a redução das tensões existentes. A este respeito, António Moreira defende que “uma instituição com cerca de 100 docentes, 20 funcionários e 1 000 alunos tem, naturalmente, uma organização de espaço de liberdade e de confrontação de ideias de pessoas com formação superior, por vezes com situações de conflitualidade e de tensão que devem ser geridas por quem tem essa responsabilidade, de forma a promover o bem comum e não a exacerbar acantonamentos que não levam a lado nenhum, geram é confrontos estéreis que não promovem desenvolvimento e isso é tudo o que nós não queremos".
    Eu pessoalmente estranho estas afirmações porque é de conhecimento de toda a comunidade da ESDRM que o pseudocandidato tem por norma criar confusão em todos os órgãos por onde tem passado, alias basta ler as atas.

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