Região | O Alcorão em Serão Temático promovido pela ACCRM

O Alcorão em Serão Temático promovido pela Associação Cultural do Concelho de Rio Maior.

Paulo Costa Sá, professor da Escola Secundária de Rio Maior, foi o orador convidado.

Embora o “al”, árabe, signifique “o”, não é correto dizer-se “o Corão” mas sim “o Alcorão”, já que na língua originária – o Árabe – o “al” é indissociável, neste caso do nome. De facto, em Português ninguém escreve ou diz “Garve” em vez de Algarve, “Cântara” em vez de Alcântara ou “Mada” em vez de Almada, nem “motolia” em vez de almotolia” ou “mocreve” em vez de almocreve, etc.

Este foi um dos saberes que o professor da Escola Secundária de Rio Maior, Paulo Costa Sá, transmitiu às cerca de três dezenas de pessoas que assistiram, e participaram questionando e esclarecendo dúvidas, em mais um dos Serões Temáticos da Associação Cultural do Concelho de Rio Maior, este dedicado ao Alcorão e realizado em 24 de Maio, como sempre na Casa da Música, por cima da Loja do Cidadão.

“É um tema polémico”, reconheceu na sua introdução a presidente da assembleia geral da ACCRM, Manuela Fialho, “mas que vem mesmo a propósito na medida em que estamos mais ou menos a meio do Ramadão”, ainda que o seu agendamento para este período tenha sido mera coincidência, como esclareceu.

Alcorão significa recitação; tem 114 “suras” (capítulos) e está organizado por temas como a sensibilidade, a cobiça, o arrependimento, a família, as mulheres, só para mencionar alguns. Descreve as origens do Universo, o Homem e as relações entre si e o Criador e define leis para a sociedade, moralidade, economia entre muitos outros assuntos.

O Alcorão foi escrito num estilo que varia entre a prosa e a poesia e há quem diga que dele emana alguma musicalidade contagiante, quando recitado em Árabe.

O Alcorão proíbe terminantemente a morte de inocentes e só aceita que a guerra seja travada quando a vida, o lar os fiéis são colocados em risco pelos invasores. Também não existem menções específicas ao uso, pelas mulheres, da burka ou do hijab (nr.: que mais do que um véu é um código de conduta quanto ao vestuário).

Paulo Costa Sá, licenciado em Filosofia, na variante História das Ideias, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, fez a contextualização da história do Alcorão e resumiu o percurso de vida de Maomé desde a sua infância, difícil, até aos 25 anos de idade, quando se casou, referiu ter-lhe acontecido o mesmo que aos profetas que o antecederam – Maomé seria o último dos profetas –, com os politeístas a tentarem subvertê-lo.

O arcanjo Gabriel terá dito a Maomé que a sua missão era propagar a Palavra de Deus. Como os cristãos, também os muçulmanos crêem num só Deus, omnipresente, omnisciente e omnipotente mas misericordioso. Porém, no Alcorão nunca aparece a palavra “amor”. Além do conceito comum que cristãos e muçulmanos têm de Deus, existem muitos pontos de contacto entre estas duas religiões ocidentais e delas com o judaísmo.

O cristianismo tem 10 mandamentos e o islamismo tem apenas 5. Jesus Cristo, filho de Deus e de Maria para os cristãos é um dos profetas para os muçulmanos.

O Alcorão mantém alguns aspetos pré-islâmicos. Subsiste uma enorme desigualdade entre o homem e a mulher. O homem pode ter até quatro esposas mas não tendo capacidade para as sustentar só deverá tomar uma esposa. Na verdade, a mulher tinha um estatuto inferior na Arábia pré-Islâmica sendo a poligamia ilimitada. Com o islamismo é reconhecido estatuto à mulher, o divórcio é limitado, a poligamia reduzida a quatro esposas, é estabelecido o Código da Família – direitos e obrigações; e o homem é colocado à cabeça da família. A mulher pertence ao seu grupo agnático, a honra depende da conduta moral das mulheres, é exigida a pureza sexual das mulheres, existe apoio institucional dos sistemas religioso e legal aos homens e é permitida a aplicação de qualquer castigo à mulher. Além disso a mulher apaixonada é tida como imoral, a mulher deve passividade e sujeição sexuais, o adultério é severamente punido, está sujeita a lapidação e flagelação. Concluindo: a sociedade é laxista em relação ao homem e extremamente dura para com a mulher.

É claro que tudo isto é um pequeno apanhado do muito que ali se explicou e questionou.

Texto e fotos: Carlos Manuel

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