Região | O ar atmosférico e o seu valor ecológico e biológico

Ecologia e Ambiente

O AR ATMOSFÉRICO

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira | nairojorn@hotmail.com

Meio Natural é, por definição, o conjunto de condições, leis naturais, influências e interações de ordem física, química e biológica que permitem e abrigam a vida em todas as suas formas.

O ar é, por sua vez, um dos componentes do meio natural intimamente ligado aos processos vitais de respiração, fotossíntese, evaporação, transpiração, oxidação, fenómenos climáticos e meteorológicos. Para além do valor ecológico e biológico que possui e que, obviamente, não pode ser determinado, estão em curso estudos inerentes ao valor económico do meio ambiente e dos recursos naturais onde, naturalmente, o ar se encontra inserido.

A alteração das características físicas, químicas e biológicas normais pode ser consequência da degradação do ar atmosférico, comprometendo processos respiratórios e fotossintéticos e favorecendo o aparecimento de patologias como o enfisema, a bronquite, a rinite alérgica… e até deficiências de visão.

Um ser humano respira cerca de 15 m³ de ar por dia; se a qualidade deste elemento continuar no processo de degradação que se vem constatando, fácil é de prever o perigo que impende não apenas sobre a humanidade, mas sobre todos os  seres vivos. Numa época e num país em que tudo é taxado fica-nos uma réstia de esperança de que o ar que respiramos o não seja…

Apesar do progresso científico permitir a quantificação dos níveis de contaminação atmosférica, isso não constitui nenhuma solução milagrosa. O único meio de salvar a atmosfera está na redução urgente e imediata, das emissões produzidas por atividades humanas isto é de raiz antropogénica.

Uma parte significativa da poluição atmosférica resulta do processo industrial instalado no planeta que, não obstante a riqueza gerada é também, direta ou indiretamente, uma das mais importantes fontes poluidoras a par dos incêndios florestais que, pontualmente, se verificam desde a Amazónia à Austrália, com ocorrências dramáticas em Portugal pelo abandono das mais elementares práticas culturais e expansão de espécies inadequadas, como o eucalipto.

Tanto o efeito de estufa, como as chuvas ácidas e a redução da camada do ozono, outra coisa não são que efeitos globais resultantes da degradação do ar atmosférico. A adoção de medidas urgentes, preconizadas no acordo de Paris, que preservem e recuperem a qualidade do ar atmosférico, quer seja através de monitoramento do estabelecimento de programas de recuperação ou da implementação de normas adequadas, impeditivas de quaisquer práticas de degradação da qualidade do ar e definam padrões a observar, serão inevitáveis num prazo muito curto.

É preciso que os responsáveis troquem o casaco Pierre Cardin e a gravata, das conferências e dos colóquios, pelo fato-macaco e capacete das urgentes obras a realizar, em nome da salvação do meio ambiente e de todos nós. Sigamos o aforismo latino “Res, non verba”, porque a situação atual não se compadece com mais retórica…

O desenvolvimento saudável dos processos vitais exige a manutenção da qualidade atmosférica. Com efeito, o equilíbrio ecológico não pode verificar-se perante níveis elevados de ar poluído, que não reúne as características essenciais ao sistema. Neste contexto, também a qualidade de vida será gravemente afetada, uma vez que a alteração dos padrões normais atingindo a vida biológica, na qual o Homem se insere, pode ser transmissora de patologias indesejáveis.

Sendo o ar atmosférico um bem difuso, não pode o Estado reivindicar a sua titularidade (esperamos que não) mas pode – e deve –, gerir o mesmo em nome, e no interesse, da coletividade.

Os poluentes lançados na atmosfera sobretudo pela indústria mas não só, são os grandes responsáveis pela degradação sistémica do ar atmosférico. Esses poluentes para além de contaminarem os ecossistemas eliminam, ou restringem, a continuidade da vida animal, vegetal e marinha que neles existe.

No quadro atual a grande contaminação dos recursos hídricos ocorre, indiretamente, pela emissão de poluentes para a atmosfera, que retornam sob a forma de chuvas ácidas.

A regulamentação da relação homem/ambiente é importante e urgente. Se a necessidade de adotar regras que disciplinem esta relação é imperiosa, não deve cair-se no exagero de normas que dificultem o progresso do país, comprometendo o desenvolvimento do binómio emprego/rendimento, fundamental para uma verdadeira inclusão social.

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