Região | Via Vitae e escolas enriquecem Rio Maior com Memórias de Uma Cidade

Memórias de Uma Cidade vem enriquecer a história de Rio Maior.

Mesa de honra: da esquerda para a direita, João União (EPRM), Isaura Morais (CMRM), Manuela Fialho (Via Vitae), José Albino Correia (ESRM) e Anabela Vitorino (ESDRM).

O convite para a inauguração da exposição decorrente do projeto Memórias de Uma Cidade tinha um toque identitário da génese da povoação de Rio Maior: uma imagem da Travessa Sualdeia.

Hoje referenciado por uma modesta travessa da cidade, do sítio de Sualdeia terá irradiado o crescimento da aldeia cujas proporções e relevância regional acabariam por levar, em 6 de novembro de 1836, ao estatuto de sede de concelho e por essa via a ser considerada vila embora nunca lhe tivesse sido outorgado esse foro e a ser promovida à categoria de cidade em 8 de julho de 1985, conforme deliberação da Assembleia da República consagrada na Lei 36/85 de 14 de Agosto, promulgada pelo Presidente da República, Ramalho Eanes.

Auditório da Biblioteca Municipal cheio. Cerca de 80 pessoas assistiram a sessão inaugural da exposição Memórias de Uma Cidade.

Memórias de Uma Cidade é um projeto da iniciativa da Via Vitae – Associação Portuguesa a Favor da População Sénior, com sede na Ribeira de São João. A exposição foi inaugurada na passada quarta-feira, dia 9 de Janeiro de 2018, na Biblioteca Municipal Alexandre Laureano Santos, podendo ser visitada até 8 de Fevereiro próximo.

“A Via Vitae é uma associação independente, de carácter nacional, sem qualquer orientação política ou religiosa, tendo por objetivo defender os direitos dos seniores por forma a permitir-lhes uma evolução de vida com qualidade e dignidade, registar o papel e a participação da população sénior na cidadania, promover a não discriminação em função da idade, fomentar as relações intergeracionais, integrar a população sénior na vida ativa e criar condições para a realização de projetos a favor desta população”, explicou a um auditório da Biblioteca Municipal repleto Manuela Fialho, presidente da assembleia geral da Associação. Uma apresentação verdadeiramente pedagógica como de resto toda a sessão.

Em Memórias de uma Cidade, Via Vitae juntou seniores locais cujo percurso de vida já lhes permite partilhar memórias de outro tempo e jovens da Escola Secundária Dr. Augusto César da Silva Ferreira (ESRM) e da Escola Profissional de Rio Maior (EPRM) num projeto comum que também contou com a participação da professora Anabela Vitorino da Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM), capaz de valorizar esse contributo de homens e mulheres mais velhos e mais vividos, no contexto dos juniores do tempo presente.

Memórias de Uma Cidade é um projeto apoiado pelo Município, cuja presidente, Isaura Morais, presente na inauguração da exposição/apresentação admitiu que além da cidade, uma próxima iniciativa do género possa abranger o concelho em cuja “ruralidade a convivência intergeracional permite que ainda haja uma relação muito saudável entre os mais jovens e os menos jovens”, para o que contribui a participação comum em associações, ranchos e bandas filarmónicas, por exemplo. Para já a autarquia assegura a passagem de Memórias de Uma Cidade a escrito.

“Verdadeiros livros” foi como o diretor da Escola Secundária, José Albino Correia, qualificou as pessoas idosas, que na verdade são repositórios de memórias e saberes quase nunca escritos e “quando por ordem natural da vida um desses livros se fecha definitivamente, fica algo, às vezes, por escrever”. Com conhecimento de causa – é da sexta de muitas gerações de uma família riomaiorense a habitar o espaço onde vive, conheceu e falou com avós e pais de muitos conterrâneos –, o professor tem a ideia de que “é bom que enquanto essas pessoas estão entre nós possamos registar algo daquilo que vivenciaram ao longo de uma vida”.

José Albino Correia evocou a figura do antigo professor da Escola Secundária, António Machado Feliciano Júnior, que “era um verdadeiro livro, talvez uma das pessoas mais polivalentes que passaram por Rio Maior”, com contributos “desde a arquitetura à fotografia, do ensino ao colecionismo… e uma infinidade de outras ocupações”, como por exemplo o jornalismo e o canto coral no antigo Chianora e depois no Coral e Orquestra Típica de Rio Maior; à Escola, Feliciano Júnior deixou uma coleção de Mecanografia. Dando ênfase à inexistência de testemunhos de épocas que se vão perdendo por não serem registados, o diretor da Secundária referiu que lá na Escola existem registos desde os primeiros alunos, de finais dos anos 20, 30, 40… do século XX e que compulsando-os verifica-se que “ano após ano há livros que se vão fechando”, ficando por registar vivências muito interessantes para a história e o saber da nossa terra.

Por sua vez o diretor pedagógico da Escola Profissional de Rio Maior, João União, manifestou o orgulho do seu estabelecimento de ensino por poder participar em iniciativas, como este projeto do Via Vitae, que permitem pôr em prática os conhecimentos adquiridos na EPRM, de mais em mais em partilha com outras escolas. “Valorizo aqui a troca de conhecimentos entre os alunos” da Profissional e da Secundária “e este contacto intergeracional que ocorreu”, declarou este diretor reconhecendo que “a nossa sociedade não valoriza como deveria valorizar aqueles que já passaram da meia-idade, contrariamente ao que fazem outras culturas, por isso é muito útil estimular este tipo de relação, não só pela troca de experiências e conhecimentos que propicia mas também para sensibilizar os mais novos para aquilo que foi o nossos passado” coletivo.

João União manifestou a disponibilidade da Escola Profissional para um eventual alargamento da iniciativa a todo o concelho.

A metodologia adotada para o projeto Memórias de Uma Cidade, “que favoreceu o contacto entre duas gerações”, explicou-a Anabela Vitorino, da ESDRM. A iniciativa, alicerçada na parceria entre as Escolas Secundária, Profissional e Superior de Desporto, o Município de Rio Maior e a Via Vitae, passou pela entrevista (nr.: algumas entrevistas chegam a ter 40 minutos), o registo audiovisual de todos os entrevistados (incluindo a realização de um vídeo síntese projetado durante a sessão inaugural da exposição e que se encontra online) e depois a elaboração dos cartazes expostos no átrio da Biblioteca, “que são de excelente qualidade”. Uma metodologia “ainda mais importante quando sabemos que em termos sociais, há cada vez mais falta de contacto entre estas duas gerações”.

Do vídeo apresentado constam resumos das entrevistas feitas pelos alunos a Albertino Lopes, António Coito, António Fragoso, Edgard Carriço, Fernando Lopes, Francisco Cruz, Maria Alice Vieira, Maria de Lurdes Soares, Maria Júlia Figueiredo, Nazaré Varela e Rui Andrade. Eles recordam lugares, falam da vida dos seus tempos de jovens adultos que não trocariam pela de hoje nem fariam diferente do que fizeram, crêem que nas gerações mais novas os laços familiares não são tão fortes como eram antes, recordam brevemente vivências diversas…

Albertino Lopes, António Coito e António Fragoso.

Edgard Carriço, Fernando Lopes e Francisco Cruz.

Maria Alice Vieira, Maria de Lurdes Soares e Maria Júlia Figueiredo.

Nazaré Varela e Rui Andrade.

Anabela Vitorino adiantou que o projeto Memórias de Uma Cidade inclui duas caminhadas na chamada zona histórica da cidade, abertas ao público em geral, organizadas por estudantes da Escola Superior de Desporto, ambas em Janeiro e com partida da Biblioteca Laureano Santos, a primeira no dia 23 às 10h30 e a outra no dia 26 às 10 da manhã. O percurso prevê a passagem por alguns pontos de interesse relacionados com a memória coletiva da cidade.

A ESDRM está disponível para novas iniciativas do género.

Os alunos e o projeto.

Elisabete Granja, fundadora e presidente da Vita Vitae, entre os dois alunos que falaram da experiência que foi o projeto Memórias de Uma Cidade.

Dois alunos, um da Escola Secundária e uma da Escola Profissional descreveram a participação dos respetivos estabelecimentos de ensino neste projeto. Da EPRM os alunos do Curso Técnico de Comunicação, Marketing, Relações Públicas e Publicidade atuaram na comunicação e divulgação do projeto nas redes sociais, elaboraram os cartazes e os flyers das caminhadas, esboçaram em papel o que pretendiam fazer em computador, submeteram propostas à diretora de curso que as enviou para a ESRM e realizaram a arte final – o vídeo. Para tanto trabalharam as ideias recebidas dos colegas da Escola Secundária, em grande proximidade e partilha com eles. “Resultou muito bem”, rematou a jovem.

Foi uma experiência que “enriqueceu os alunos que participaram neste projeto”, reconheceu por sua vez o aluno da ESRM, para quem Memórias de Uma Cidade “vai ficar guardado em cada um dos estudantes que participaram, para que um dia mais tarde possamos dizer que este projeto é uma memória nossa” legada à cidade de Rio Maior.

Sofia Seabra, professora.

Mas para que também faça parte desta memória da cidade, fica registada neste artigo a gratidão dos alunos à professora Sofia Seabra, “porque sem ela não teríamos chegado tão longe”, reconheceu o jovem da Escola Secundária. “Foi a alma deste projeto” no que respeita à sua materialização, confidenciou a este site outro professor.

Memórias de Uma Cidade foi um projeto de um ano, “um dos maiores já realizados” entre a ESRM e a EPRM, segundo o aluno que falou pela Secundária. Os alunos estão gratos, além de às próprias escolas pelos meios disponibilizados, à Via Vitae por o ter sugerido e proposto. O projeto, sublinhou a presidente e fundadora da Associação, Elisabete Granja, foi concebido para Rio Maior pela associada Isabel Azinhais, com base numa experiência anterior.

Para Elizabete Granja, fundadora e presidente da Via Vitae, todos quantos participaram neste projeto ou o apoiaram estão de parabéns e são merecedores da gratidão da Associação. Mas a Via Vitae, para prosseguir a sua finalidade, necessita de mais sócios, para ganhar maior vulto e capacidade negocial. Formulários para esse efeito devem estar disponíveis junto da exposição, na Biblioteca Municipal de Rio Maior.

Texto e fotos: Carlos Manuel (fotos dos entrevistados extraídas do vídeo do projeto).

Categorias:Em Destaque, História Tags: , , , , , , , , , , , , ,

Também pode ser do seu interesse:

Região | Competições internacionais de Polo aquático em Rio Maior Região | Competições internacionais de Polo aquático em Rio Maior
Região | O Rio Maior Sport Clube vai a votos a 9/5/2019 Região | O Rio Maior Sport Clube vai a votos a 9/5/2019
Região | Cartoonista António Maia distinguido pelo Rotary de Rio Maior Região | Cartoonista António Maia distinguido pelo Rotary de Rio Maior
Região | Movimentos – Bombeiros Voluntários de Rio Maior em números Região | Movimentos – Bombeiros Voluntários de Rio Maior em números

Responder

Enviar Comentário

© 2019 . Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por MDS Implement Ideas.