Rio Maior é cidade há 30 anos

Município assinalou o 30º aniversário da cidade de Rio Maior.

Aproveitando a circunstância de a sexta-feira, 21 de agosto, ter sido o dia da sua 2ª reunião ordinária do mês, com direito portanto à intervenção do público, a Câmara Municipal de Rio Maior assinalou, cumprida que foi a ordem de trabalho, o 30º aniversário da instituição da cidade de Rio Maior.

A decisão política da Assembleia da República, de elevar a então vila de Rio Maior à categoria de cidade data de 8 de julho de 1985.

A publicação daquela decisão política, vertida na Lei nº 36/85, promulgada em 26 de julho daquele mesmo ano pelo Presidente da República da época, General António Ramalho Eanes e referendada em 31 desse mês de julho pelo então Primeiro-ministro, Mário Soares, foi feita no jornal do Estado – o Diário da República –, em 14 de agosto de 1985.

Aqui se deixa cópia, com a qualidade possível, da referida Lei:

Lei36-85

A instituição do Dia da Cidade nunca foi contemplada por qualquer executivo municipal riomaiorense. Contudo, há 5 anos, no seu anterior mandato, Isaura Morais promoveu a comemoração do 25º aniversário da cidade numa reunião similar à de 2015, mas antes da ordem de trabalho e antecedida pelo Hastear da Bandeira ao som de um terno de clarins da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Rio Maior chefiado pelo maestro Cristiano Pestana, a que a presidente, os vereadores e demais circunstantes assistiram da escadaria dos Paços do Concelho.

Foram convidados para essa reunião os proponentes da elevação de Rio Maior a cidade, na época (1985) deputados à Assembleia da República, Mário Santos (PSD) e Silvino Sequeira (PS), bem como o presidente do Município e indefetível apoiante da proposta, Joaquim Pereira de Deus (PSD), infelizmente já falecido.

Para assinalar os 30 anos da cidade, os convidados foram Mário Santos que, informou a edil, não podia comparecer por razões de ordem pessoal, Silvino Sequeira e José Pulquério que era vereador (AD) em 1985. Ambos recordaram aos atuais autarcas, a alguns funcionários camarários presentes e aos demais convidados que ao meio-dia encheram a sala de reuniões da Câmara, como foram esses tempos, peripécias em torno da proposta no Parlamento e como Rio Maior foi justificando desde o dia 8 de julho de 1985 como era tão merecido o estatuto de cidade.

José Pulquério e Silvino Sequeira.

José Pulquério e Silvino Sequeira.

José Pulquério recordou que a ainda vila de Rio Maior honrava em 1985 a divisa em tempo criada por si, que dizia: «Rio Maior, terra amiga para viver, para trabalhar e para investir». E que depois da elevação a cidade pouco tempo mais se manteve no elenco camarário, abandonando por vontade própria a política ativa local, “indiferente aos ataques impiedosos da imprensa fascista da terra” mas que “sempre” vaticinou “que face ao surto de desenvolvimento económico e social verificado, no final do milénio Rio Maior seria cidade”. Para este antigo autarca a atribuição do estatuto de cidade a Rio Maior nunca foi condignamente celebrado, o que é “uma lacuna a preencher” até porque a urbe “dispõe hoje de infraestruturas invejáveis no sector do ensino, da cultura, do desporto e da assistência social, entre outros”.

Da intervenção de Silvino Sequeira, ex-vereador, ex-presidente de Câmara e ex-deputado à Assembleia da República que esteve envolvido na proposta de elevação da vila a cidade, deixamos registado este revelador episódio “que não vem nos livros nem na comunicação social”: “Rio Maior não tinha um conjunto de requisitos que na altura se exigiam para a elevação de vilas a cidades. Eu era membro da direção do Grupo Parlamentar do PS, o problema foi posto pela Comissão do Poder Local da Assembleia da República e assim havia que ultapassar essa questão; na minha bancada disseram-me que não era fácil por não haver enquadramento legal na sua totalidade; então eu comuniquei ao líder do grupo parlamentar, que fosse qual fosse a posição do PS” em relação à proposta, “eu, acima de tudo era riomaiorense e como tal votaria favoravelmente a proposta apresentada pelo Sr. Dr. Mário Santos. Contactei o Dr. António Capucho, membro da direção do Grupo Parlamentar do PSD, e o atual presidente da Câmara de Marco de Canavezes que ao tempo era o presidente da Comissão do Poder Local na Assembleia da República e a solução foi muito simples: o PS também queria que Ponte de Sor passasse de vila a cidade mas também não reunia as condições exigidas, de forma que chegou-se a um acordo no chamado Bloco Central e conseguimos que as duas vilas fossem elevadas a cidades”.

Recordamos ainda da sua intervenção na comemoração do 30º aniversário da cidade de Rio Maior a declaração que proferiu no Parlamento quando da aprovação da proposta: “Mais do que o preenchimento dos requisitos exigidos pela lei (…) a vontade favorável da Assembleia da República, expressão mais lídima da vontade do povo português é o seu reconhecimento à criatividade e ao amor ao trabalho postos pelos riomaiorenses no desenvolvimento do seu concelho e do país (…) Se é um reconhecimento da Assembleia da República para com Rio Maior pela defesa dos valores democráticos, também é um desafio à capacidade dos riomaiorenses no seu empenhamento de tornarem a sua terra numa cidade onde valha a pena viver, de modo que no amanhã, esta elevação que hoje vivemos com tanta alegria não seja entendida como uma mera designação de valor estritamente honorífico.” Silvino Sequeira comentou que “os riomaiorenses (…) foram para além desse desafio e passado pouco tempo Rio Maior tinha mais do que aquilo que lhe era exigida pela lei”.

Por sua vez, Isaura Morais afirmou vivermos hoje numa cidade e num concelho substancialmente diferentes do que eram nos meados dos anos oitenta, com qualidade de vida, zonas habitacionais modernas, estradas municipais de qualidade, modernos centros educativos, uma Escola Profissional que é referência regional, um dos melhores complexos desportivos do país, uma moderna Escola Superior de Desporto e um Parque de Negócios que vai atraindo novas empresas.

A presidente da Câmara, Isaura Morais, Silvino Sequeira e José Pulquério descerraram uma placa alusiva ao 30º aniversário da cidade, no hall dos Paços do Concelho.

A presidente da Câmara, Isaura Morais, Silvino Sequeira e José Pulquério descerraram uma placa alusiva ao 30º aniversário da cidade, no hall dos Paços do Concelho.

Finda esta cerimónia foi descerrada uma placa de acrílico comemorativa da efeméride, numa das entradas para o Auditório Municipal, no hall dos Paços do Concelho e num dos jardins junto à Biblioteca Dr. Laureano Santos foi inaugurado um busto de Marcolino Sequeira Nobre, figura grada do meio empresarial e político riomaiorense, já falecido – foi fundador das Indústrias de Carnes Nobre, hoje Nobre Alimentação e presidente da Assembleia Municipal, sendo ainda dignas de registo as suas intervenções em obras sociais e humanitárias e na imprensa local de que foi cofundador deste jornal no âmbito da extinta Fundação Lopes, à qual João Pereira Lopes legou a Rádio Maior que fundou, colocou no ar em 5 de outubro de 1985 e manteve até à sua morte em 4 de janeiro de 1988 –, cerimónia que contou com a participação da família do homenageado, que com ele “tão longe levaram o nome de Rio Maior e de Portugal”, diria Carlos Frazão Correia.

Descerramento do busto de Marcolino Sequeira Nobre.

Descerramento do busto de Marcolino Sequeira Nobre.

Luís Nobre, filho de Marcolino Sequeira Nobre, em seu nome, no de sua mãe, a sua irmã e os sobrinhos agradeceu ao Município a homenagem prestada à memória de seu pai que, recordou, juntamente com o irmão, o seu tio Manuel Sequeira Nobre, “deu continuidade a um projeto empresarial iniciado” pelos seus avós, “Marcolino Nobre e Fausta Sequeira Nobre e que culminou naquela que ainda é hoje a maior empresa do concelho de Rio Maior, a sua maior empregadora e uma referência nacional e internacional na área em que opera”.

Luís Nobre quando falava de seu pai, Marcolino Nobre.

Luís Nobre quando falava de seu pai, Marcolino Nobre.

Citando o padre António Vieira nos seus «Sermões», Isaura Morais justificou aquela homenagem dizendo “O efeito da memória é levar-nos aos ausentes, para que estejamos com eles, e trazê-los a nós, para que estejam connosco”, lembrando assim que com este gesto se preserva na memória coletiva da comunidade “o nome de um homem cuja vida e vivências se misturam com o crescimento da cidade e do concelho” ao longo dos 85 anos em que viveu.

Busto de Marcolino Sequeira Nobre.

Busto de Marcolino Sequeira Nobre.

O busto é da autoria do escultor alpiarcense Armando Ferreira.

Regista-se que parece ter ficado claro na reunião de Câmara, que é tempo de ser instituído o Dia da Cidade e que a sua comemoração deve ser relevante para toda a população.

Texto e fotos: C. M.

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