Santa Casa quer ampliar Lar Calado da Maia

Santa Casa quer requalificar o antigo hospital e ampliar a área residencial do Lar Calado da Maia

Obra de milhões tem o projeto de arquitetura licenciado. A esperança está no Portugal 2020

Na sala da mesa administrativa, Maria José Figueiredo elucidou os visitantes do Rotary Club de Rio Maior sobre a orgânica da Misericórdia, suas principais dificuldades e o projeto de requalificação do antigo hospital e ampliação do Lar Calado da Maia. Na foto, a provedora tem à sua direita a tesoureira, Ana Mendes e à esquerda a diretora técnica do Lar, Vanda Santos,  Fátima Carvalho, responsável pelo Lar e sua enfermeira; Luisa Sacadura, do Rotary, Elsa Pouseiro, secretária da mesa administrativa; José Oliveira, presidente do Rotary, Tamara Branco, vice-presidente do Rotaract, e Alda Oliveira e Célia Flores, ambas do Rotary. De costas para o leitor estão o vice-provedor da Misericórdia, Rui Andrade e António Candoso, responsável pela parte religiosa da instituição, equipamentos e logística.

Na sala da mesa administrativa, Maria José Figueiredo elucidou os visitantes do Rotary Club de Rio Maior sobre a orgânica da Misericórdia, suas principais dificuldades e o projeto de requalificação do antigo hospital e ampliação do Lar Calado da Maia. Na foto, a provedora tem à sua direita a tesoureira, Ana Mendes e à esquerda a diretora técnica do Lar, Vanda Santos, Fátima Carvalho, responsável pelo Lar e sua enfermeira; Luisa Sacadura, do Rotary, Elsa Pouseiro, secretária da mesa administrativa; José Oliveira, presidente do Rotary, Tamara Branco, vice-presidente do Rotaract, e Alda Oliveira e Célia Flores, ambas do Rotary. De costas para o leitor estão o vice-provedor da Misericórdia, Rui Andrade e António Candoso, responsável pela parte religiosa da instituição, equipamentos e logística.

Instituição particular de solidariedade social mas que se rege também pelo Direito Canónico o que lhe confere uma natureza jurídico canónica, a Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior pretende admitir novos irmãos, revelou a sua provedora, Maria José Figueiredo, na recente visita guiada às instalações que fez a uma delegação do Rotary Club de Rio Maior.

A provedora da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior, Maria José Figueiredo.

A provedora da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior, Maria José Figueiredo.

Maria José Figueiredo é a última de uma série de mulheres a assumirem pela primeira vez cargos proeminentes na comunidade riomaiorense, sendo as mais recentes antes dela, Isilda Soveral que foi presidente da assembleia geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários e Isaura Morais, presidente da Câmara Municipal, a cumprir o segundo mandato. A primeira mulher presidente de junta de freguesia foi Ilda Marques, no Outeiro da Cortiçada, seguindo-se Dina Bernardino em S. Sebastião e Isaura Morais em Rio Maior e mais tarde Mariana Carvalho em Azambujeira, Olga Paula na ora extinta freguesia de Ribeira de S. João e Amélia Simão que é presidente da Junta de Freguesia de Marmeleira e Assentiz depois de no mandato anterior ter presidido à Junta da também extinta freguesia de Assentiz.

A provedora explicou aos visitantes a orgânica da instituição: os estatutos chamam-se «compromisso», a direção é a «mesa administrativa» e o conselho fiscal é o «definitório», designações estas que não sendo obrigatórias há Misericórdias que não utilizam, mas que são uma tradição na Santa Casa de Rio Maior que já tem 257 anos.

Como IPSS, a Misericórdia pratica atos de solidariedade social necessitando de meios para a prossecução desses fins, razão pela qual tem acordos com o Estado através da Segurança Social e com o Ministério da Saúde, possuindo ainda um Centro Médico criado em 1990 no antigo hospital e instalado em 2002 num piso de que é proprietária, em edifício sito na Rua António Barata, contígua ao recinto do hospital bem como, neste mesmo recinto e em edifício construído de raiz há muito poucos anos, serviços de Fisioterapia e Medicinas Alternativas, frentes que lhe permitem realizar algumas receitas.

Possui ainda, na Rua Serpa Pinto, as modernas Capelas Mortuárias da cidade, estas contíguas à Igreja da Misericórdia de que também é proprietária.

Além do Lar Dr. Calado da Maia, atualmente com 43 utentes, outra valência da Misericórdia é o Centro Infantil «O Ninho» – com berçário, creche, pré-escolar e creche familiar (em amas) – que acolhe neste momento 204 crianças e está sob a responsabilidade de Olga Paula.

A instituição presta ainda outros serviços de natureza social:
• Integra a Rede Local de Intervenção Social, que de resto funciona nas instalações da Santa Casa e atende, acompanha e encaminha para as instituições adequadas casos sociais, seja qual for a sua natureza; faz um atendimento médio mensal de 50 a 70 pessoas, registando picos que podem ir dos 80 até quase aos 100 utentes.
• Confeciona e fornece refeições diárias nas cantinas sociais.
• Tutela o PIP-RIO – Projeto de Intervenção Precoce de Rio Maior, que acompanha e apoia crianças em famílias como problemas de natureza física e psicológica após prévia identificação pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Rio Maior.

Da explanação feita por Maria José Figueiredo a delegação rotária também ficou a saber que a Santa Casa da Misericórdia tem 120 trabalhadores, dos quais 100 com contrato de trabalho a termo certo ou por tempo indeterminado e mais 20 que ali prestam serviço há muitos anos mas que são trabalhadores independentes, como é por exemplo o caso dos enfermeiros. Além daqueles 120 trabalhadores a Misericórdia conta ainda com 25 médicos a prestarem serviço no Centro Médico e com o apoio de voluntários.

Todos estes elementos permitem perceber que a Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior “é uma organização já com alguma complexidade”, comentou a provedora. Porém, a participação da Santa Casa na sociedade vai mais longe, mantendo parcerias ou protocolos com outras instituições, como universidades, ordens profissionais, a Escola Superior de Desporto de Rio Maior, as escolas locais, serviços públicos… normalmente com vista à facilitação de estágios de formação nas suas valências. Por exemplo, dentro em breve a Misericórdia deverá ter um psicólogo em estágio.

O Lar Dr. Calado da Maia, como se refere no Região de Rio Maior nº 1473, de 30/12/2016, em «Rotários visitam Misericórdia e oferecem mantas (…)» (ver em MMM), dispõe presentemente de uma sala de estar a funcionar num espaço que foi acrescentado, em 1992, ao vetusto edifício do antigo Hospital da Misericórdia que tem 80 anos e que foi adaptado para lar de grandes dependentes. Ou seja estamos a falar de instalações que não reúnem as melhores condições, embora a instituição faça tudo o que está ao seu alcance para prestar um serviço de excelência às pessoas, pois é naturalmente condicionada pelo tipo de edifício onde o lar está instalado. “As obras de manutenção e conservação – caríssimas – não são suficientes”, sublinhou a provedora contando que a mesa administrativa do mandato anterior a este a que ela preside mas da qual já fazia parte, “decidiu que tínhamos que aproveitar a oportunidade dos fundos comunitários do Programa Portugal 2020”. E foi por aí que a Misericórdia avançou.

A parte da frente do futuro edifício do Lar Dr. Calado da Maia ficará virada para a Rua António Barata.

A parte da frente do futuro edifício do Lar Dr. Calado da Maia ficará virada para a Rua António Barata.

Assegurado que não seria necessário deixar o velho hospital devoluto ou mesmo demoli-lo “o que me deixou felicíssima”, confessa Maria José Figueiredo – “o Portugal 2020 não financia novos edifícios, novos equipamentos mas sim remodelações, requalificações…” –, “o que fizemos, com o aval da Segurança Social, foi optar pela requalificação e ampliação do edifício (do antigo hospital) para um número maior de utentes do que o atual e integrá-lo num todo que seria um novo Lar”, revelou.

Do lado oposto ao da ampliação do Lar Calado da Maia, o projeto de requalificação prevê a dispensa da zona construída em que atualmente se encastra a Capela do complexo do antigo hospital, criando espaços livres e uma boa visibilidade a partir da futura ampliação do Lar Calado da Maia.

Do lado oposto ao da ampliação do Lar Calado da Maia, o projeto de requalificação prevê a dispensa da zona construída em que atualmente se encastra a Capela do complexo do antigo hospital, criando espaços livres e uma boa visibilidade a partir da futura ampliação do Lar Calado da Maia.

Abreviemos. O projeto final está concluído, a provedora e restantes mesários estão encantados com a sua beleza, a fase de licenciamente do projeto de arquitetura foi submetido à Câmara Municipal de Rio Maior e já está aprovado e, por esta altura já deverão estar concluídos os projetos de especialidade que, anunciou a provedora em primeira mão, previa-se que fossem entregues ao Município já na primeira semana de janeiro de 2017, pelo que “no princípio de janeiro vamos quantificar a obra o que me vai tirar algumas noites de sono só de pensar que vai custar alguns milhões de euros e a Misericórdia não tem milhões de euros para mandar fazer edifícios desta envergadura!”

Estando as coisas neste ponto, Maria José Figueiredo não duvida de que é chegada a hora de dar a conhecer este projeto à comunidade; “Este é o nosso sonho. Vamos ver se é possível concretizá-lo. Temos o projeto, o projeto está licenciado e tem o valor X de investimento”, resume a provedora que acha ser “muito importante envolver toda a comunidade” dado tratar-se de um projeto a concretizar para muitos anos; “Se o atual edifício durou 80 anos, este que dure pelo menos 100!”, brincou. Mas… para já “aguarda-se a abertura da candidatura para sabermos da possibilidade, ou não, de a fazermos e de obtermos o respetivo financiamento”, explicou. Assim, se tudo correr bem, o fi-nanciamento deverá ser da ordem dos 85%.

Por enquanto o montante do investimento a efetuar ainda não está determinado mas terá um valor avultado – de alguns milhões de euros.

Enfim, é caso para se dizer “haja alma até Almeida!” Ou, parafraseando o saudoso Dr. João Afonso Calado da Maia, antepenúltimo provedor, “a Misericórdia é uma paixão”, de modo que, acrescenta Maria José Figueiredo, “é preciso trabalhar um bocadinho e ser, essencialmente, organizado” e para que tudo corra pelo melhor, “componente essencial são os colaboradores desta casa e os voluntários”. Exemplificando, “há as pessoas que vêm dar as refeições, há um conjunto de pessoas que ajuda na parte religiosa, há pessoas que vêm ao Lar…”

Ainda por falar em voluntários regista-se e sublinha-se, que o projeto «Rio Maior Voluntário» ou «Banco Local de Voluntariado», está pronto a admitir novos voluntários. As regras estão devidamente estabelecidas, todos os voluntários têm seguro, etc. “Nós precisamos de admitir novos voluntários, porque sem eles não conseguimos chegar a todo o lado”: na mesa administrativa são 7, há mais 3 pessoas da mesa da assembleia geral e outras 3 do definitório, o que para uma casa com a envergadura da Misericórdia de Rio Maior é pouco, tanto mais que algumas dessas pessoas estão empregadas e outras, embora aposentadas têm as suas ocupações porque são pessoas ativas e portanto só dispõem dos seus tempos livres para dedicar à instituição.

José Oliveira, presidente do Rotary Club de Rio Maior saudou a provedora pela exposição que fez à delegação rotária, pelo “entusiasmo com que fala” da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior e pelos objetivos que pretende atingir “ambicionando em grande o que nos leva a lutar, a desafiar e às vezes e ultrapassar barreiras que nem sequer imaginamos ser capazes de superar”. Por último disponibilizou o Rotary Club para apoiar a Misericórdia em tudo o que estiver ao seu alcance.

Tamara Branco, do Rotaract, reiterou aqui, também, a total disponibilidade deste clube de jovens rotários para “ajudar no que for preciso”.

Texto e fotos: Carlos Manuel

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