Túlipa, a flor rainha da Holanda

Coordenação e texto de Tomás Duarte Ferreira |nairojorn@hotmail.com

Túlipa

Síntese Prática

  • Nome científico – Tulipa spp.
  • Nome comum – Túlipa.
  • Origem – Ásia Central, Casaquistão.
  • Família – Liliaceae.
  • Clima – Temperado e frio.
  • Utilização – Canteiros, floreiras e corte.
  • Exposição – Sol pleno e meia sombra.
  • Solo – Arenoso, fértil e bem drenado.
  • Propagação – Por bolbos.
  • Fitossanidade – Pulgão, lesmas, caracóis…

Foto: Alliance AT. Muncke, com a devida vénia.

As túlipas anunciam a chegada da primavera e ornamentam, com todo o esplendor, parques e jardins quando a maior parte das plantas ainda se encontra no estado letárgico a que o inverno as conduziu. Oriundas da Ásia Central, montes do Cazaquistão, foram introduzidas na Europa em 1554 por um embaixador austríaco então regressado de uma missão diplomática na Turquia.

Um século após, a febre das túlipas invadiu a Europa, e particularmente, os Países Baixos onde passou a ser flor rainha, exportada para todo o mundo. Ramalho Ortigão em 1885, atestando o febril entusiasmo por estas flores, haveria de escrever no seu livro de viagens «A Holanda»: “No século XVII o amor das túlipas tomou proporções de um delírio epidémico…”

Delírio ou não o que é facto é que, calcula-se, mais de quinhentos milhões de túlipas são cultivadas, anualmente, tanto em jardins de particulares como em parques e outras instalações de utilização pública. Na linguagem das flores as túlipas são, genericamente, conotadas com a elegância e a sensibilidade. Vermelhas são o símbolo do amor declarado, mas sendo amarelas já simbolizam um amor sem esperança… Vermelhas, amarelas ou variegadas são conhecidas mais de 5 000 variedades distribuídas, consoante as suas peculiaridades, por grupos distintos. Os híbridos Darwin são, porventura, o grupo mais divulgado juntamente com o das túlipas Triunfo. Produzem flores grandes e duráveis sustentadas em hastes de 40 a 80 cm, que podem originar espetaculares manchas multicolores. As túlipas Papagaio e Flor de Lis são também muito populares. A floração surge no final do inverno ou na primavera, consoante o mês da plantação.

O vocábulo “Túlipa” é, etimologicamente, de origem turca – tulbend – significando o turbante usado pela nobreza que, pela forma erguida, se assemelha a uma túlipa. Tanto na Turquia como no Irão as túlipas representam um verdadeiro símbolo nacional.

Instalação e cultura

A plantação dos bolbos tem lugar entre setembro e dezembro, para que a floração surja na primavera. Plantados demasiado tarde  podem produzir plantas de inferior qualidade por não terem tempo suficiente para se desenvolverem, visto que a floração se processa quando o tempo começa a aquecer. A altura das hastes é diretamente proporcional à precocidade das plantas isto é, as túlipas mais temporãs possuem pedúnculos mais curtos do que aqueles que foram obtidos após o ciclo temporal adequado, originados por túlipas designadas de serôdias. O comprimento dos caules é muito importante do ponto de vista ornamental e comercial. As razões referidas recomendam proceder à plantação dos bolbos de meados de outubro a meados de novembro, para florirem em plenitude na primavera.

A floração estival resulta de plantações executadas entre fevereiro e maio.

A cultura das túlipas é fácil. Basta enterrar os bolbos a uma profundidade de 7 a 12 cm, consoante o diâmetro, em solo fértil, solto, e bem drenado, em localização soalheira ou na meia sombra, distanciados entre si de 10 a 15 cm. Os bolbos são, no fundo, plantas inativas mas vivas. Por isso torna-se necessário fornecer-lhes a água suficiente, para que as raízes a emitir nunca fiquem secas. Cada bolbo é uma potencial planta com raiz, caule, folhas e flores.

Geralmente, as flores duram cerca de três semanas por isso, para que o terreno da plantação não fique, posteriormente, demasiado nu, é aconselhável que se estabeleça uma consociação com outra plantas, nomeadamente amores-perfeitos, petúnias, prímulas, etc. Os maciços geram grande impacte ornamental, quando  nas combinações se estabelece uma correta harmonia.

 Multiplicação

Faz-se, geralmente, por pequenos bolbos que se formam durante o período vegetativo à volta do bolbo mãe. Como estes bolbilhos são muito pequenos têm de ganhar o diâmetro adequado. Para isso, no outono plantam-se para que passem uns meses na terra, adquirindo a dimensão conveniente, para poderem ser plantados no outono seguinte. A multiplicação por semente é possível mas é pouco utilizada.

Fitossanidade

As enfermidades que mais problemas fitossanitários podem causar a estas plantas são: Botrytis tulipae, Fusariose, Sclerotium tulipae, Puccinia tulipae e as viroses. O pulgão é uma praga que também pode atacar as túlipas. O excesso ou a falta de água, temperaturas demasiado elevadas e excesso de azoto podem ter implicações no domínio fitossanitário.

Categorias:Diversos Tags: , , , , , , , , ,

Também pode ser do seu interesse:

Região | Ecologia e Ambiente – A degradação da fertilidade do solo Região | Ecologia e Ambiente – A degradação da fertilidade do solo
Região | Floricultura – A zínia,  símbolo da simplicidade e da singeleza Região | Floricultura – A zínia, símbolo da simplicidade e da singeleza
Região | Fitoterapia: a urze ou calluna vulgaris é boa até para as insónias Região | Fitoterapia: a urze ou calluna vulgaris é boa até para as insónias
Uma holandesa de Poortugaal… Uma holandesa de Poortugaal…

Responder

Enviar Comentário

© 2019 . Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por MDS Implement Ideas.