O Plano Estratégico de Valorização Turística de Rio Maior

Por onde deve passar o turismo no concelho de Rio Maior?

Mais do que nos determos no documento técnico, que de resto ainda não está fechado – há ainda que colher os contributos da comunidade riomaiorense para a cabal definição da estratégia de valorização turística para o concelho –, importava escutar Ceia da Silva, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR), que veio mais uma vez a Rio Maior, agora no dia 1 deste setembro, para participar pessoalmente na apresentação do Plano Estratégico de Valorização e Comunicação Turística do Município de Rio Maior, de sua designação completa.

Malgrado o dia 1 fosse uma quinta-feira, era importante que o auditório dos Paços do Concelho estivesse cheio mas não estava, porque neste Plano, quando concluído, jogar-se-á uma boa parte do futuro riomaiorense pois o que se assentar fazer vai mexer com a restauração, o alojamento, o comércio, a oferta de atividades… e logo, colateralmente, vai gerar uma série de oportunidades.

Não deve ter chegado a duas dezenas de pessoas a assistência, ainda assim capaz de se interessar, colocar questões e opinar.

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Ceia da Silva anda nisto há anos e o Alentejo bem sabe o que tem ganhado graças ao desempenho da respetiva Entidade Regional de Turismo, há uns anos alargada ao Ribatejo. Mas situemo-nos no concelho de Rio Maior.

Traçar o tal plano é conceber estratégias de valorização, organização e promoção turística na região, potenciando a inovação, o desenvolvimento e a participação local.

Foram definidos como Eixos Temáticos de Ação:

  • Património Natural, Paisagístico e Geológico;
  • Património Antropológico e Etnográfico;
  • Património Histórico-cultural;
  • Património Rural e Agrário;
  • Património Arqueológico; e
  • Património Gastronómico.

As áreas territoriais estruturantes são as seguintes:

  • Núcleo urbano da cidade de Rio Maior;
  • Freguesias rurais;
  • Salinas de Rio Maior;
  • Espaços desportivos; e
  • Maciço montanhoso de Aires e Candeeiros.

Como áreas temáticas estruturantes estão definidas:

  • Rio Maior monumental, património natural e património histórico e cultural;
  • Desporto e eventos desportivos;
  • Espaço rural e mundo agrário;
  • Património gastronómico; e
  • Património geológico, natureza e paisagem.

Com este enquadramento, após aberta a sessão pela presidente da Câmara, Isaura Morais, estando também presentes outros autarcas locais, como os vereadores Carlos Frazão Correia, João Lopes Candoso e Augusto Figueiredo, o presidente da ERTAR fez uma intervenção a todos os títulos de grande utilidade e alcance.

Ficaremos neste apontamento por uma 1ª nota.

“Um destino turístico demora 30 a 40 anos a consolidar e pode extinguir-se numa semana e até num dia como destino turístico de qualidade.” A Ertar está a trabalhar há 2 anos e meio, “o que é muito pouco tempo”, esta zona. Já está financiada e vai ser criada a Carta Gastronómica do Ribatejo mas “os primeiros a gostar deste território têm que ser vocês, aqueles que aqui vivem têm que ser os primeiros promotores turísticos, têm que ‘adorar’ a sua terra e dizer isso aos seus congéneres”. A Carta Gastronómica está a ser elaborada em parceria com a Confraria Gastronómica do Ribatejo (a do Alentejo já existe há 7 anos). “Peço mais uma vez aos agentes da restauração de Rio Maior que, quando receberem a nossa cartinha para nos reunirmos e começarmos a fazer a certificação, que não julguem que é mais um imposto ou mais um IVA e que adiram para que possam ser incluídos no guia.” Também já financiada e pronta a avançar no Ribatejo está a estruturação do produto “enoturismo”, um produto muito relevante no turismo, que a ERTAR está a trabalhar com a Comissão Vitivinícola do Tejo. No turismo de natureza vai ser criado o trans-Ribatejo em que haverá “pelo menos um percurso pedestre em cada um dos concelhos; o pedestrianismo é um produto alternativo, hoje com muita procura; será estruturado de forma a que haja operadores turísticos a vendê-lo”. Ceia da Silva apontou como exemplo o caso de sucesso das Casas Brancas e da Rota Vicentina, 462 km de percursos em duas rotas, uma grande e outra mais pequena, que tinham uma sazonalidade em julho e agosto e em pequenas franjas de junho e setembro e que hoje, de fevereiro até final de outubro tem as unidades de turismo em espaço rural completamente cheias.

Seguir-se-á a estruturação de outros produtos turísticos. Será implementado nesta região o produto Caminhos de Santiago, para o que a ERTAR tem estado em contacto com os responsáveis do Xacobeo e ainda em setembro deverá ter assinado um protocolo com a Junta da Galiza para começar a estruturar no Ribatejo os Caminhos de Santiago, com a sinalética deles. “Eles preveem entre 4 a 5 milhões de peregrinos até 2021 e não é mais o peregrino que fica na Misericórdia ou nos Bombeiros… Mais de 70% ficam nos melhores hotéis e comem nos melhores restaurantes”, referiu Ceia da Silva avisando por isso que “a nossa grande luta nos próximos anos vai ser o alojamento”.

Tomando como referência um princípio basilar do turismo, segundo o qual só há de facto turismo se houver dormidas, o presidente da ERTAR afirmou que será preciso fazer um grande esforço em conjunto com as autarquias dos onze concelhos da Lezíria, “para captar investimentos de qualidade”. Já em outubro Ceia da Silva fará um roadshow com responsáveis do Turismo de Portugal por este território, para sensibilizar potenciais investidores no turismo.

“O turista é hoje mais culto, mais exigente, mais informado e com mais poder de compra” alertou o orador, garantindo que “hoje há financiamentos únicos (até 2022) que podem chegar a 75% do investimento, dos quais metade podem passar a subsídio não reembolsável, ou seja a fundo perdido e portanto esta região tem que aproveitar ao máximo esses fatores”.

Texto e fotos: C. M.

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