O regresso da gralha-de-bico-vermelho à Serra dos Candeeiros

Gralha-de-bico-vermelho.

Gralha-de-bico-vermelho.

A propósito de um video sobre o regresso da gralha-de-bico-vermelho à Serra dos Candeeiros deixamos aqui algumas passagens da primeira reportagem sobre este projeto, da autoria da jornalista Zélia Vitorino, publicada na edição nº 1045 de 17/10/2008, do jornal Região de Rio Maior sob o título «Quercus e Vodafone uniram-se para preservar a gralha-de-bico-vermelho no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros – É a partir de Chãos que se vão desenvolver todas as actividades».


No último sábado, dia 11 (de outubro de 2008), em Chãos, estiveram representantes das duas entidades como por exemplo Paulo Lucas, dirigente regional do núcleo de Ourém da Quercus; Su- sana Fonseca, vice-presidente da direcção nacional da Quercus; Luisa Pestana, directora de comunicação da Vodafone e Júlio Ricardo, presidente da Cooperativa Terra Chã.

(…)

Durante cinco anos (até 2012), numa área de cerca de 300 hectares a Vodafone e a Quercus, juntamente com a Cooperativa Terra Chã, irão tentar recuperar actividades agrícolas e de pastoreio economicamente sustentáveis. Ao mesmo tempo salvaguarda-se a sobrevivência da gralha-de-bico-vermelho, ave que está em perigo de extinção em Portugal. Para a conservação desta ave é necessário desmatar áreas nas Serras de Aire e Candeeiros, sempre com a autorização do ICNB, para possibilitar o acesso ao gado. Será adquirido um rebanho de cabras serranas que inicialmente terá 50 cabeças, mas que pode chegar às 300. A colaboração de pastores locais para trabalhar com os rebanhos será fundamental. Será ainda necessário instalar um estábulo colectivo com a colaboração da Cooperativa Terra Chã, recuperar uma lagoa que funcionará como bebedouro para os rebanhos e fauna e através de parcerias locais garantir a continuidade do projecto depois de 2012, através da certificação da carne de cabrito, certificação do queijo de cabra e dinamização de produtos de turismo de Natureza.
Paulo Lucas explicou ao Região de Rio Maior que “investir num rebanho e em algumas actividades como a recuperação da lagoa é essencial para conservar este tipo de habitats que temos aqui na serra. O que aconteceu é que nos últimos anos, com o abandono do pastoreio, os matos voltaram a tomar conta da serra e os habitats fecharam e estão a desaparecer”. Ao levar novamente as cabras para a serra irão ser de novo criados habitats de alimentação da gralha, sem matos e para além disso, “as cabras vão deixar dejectos ao longo do percurso e esses dejectos acabam por originar a presença de invertebrados que também são o alimento da gralha. Deste modo, havendo esta actividade económica aumenta-se a área de habitats disponível para a alimentação da gralha o que faz com que a gralha aumente em termos de números aqui na área das Serras de Aire e Candeeiros”, esclareceu Paulo Lucas.

No âmbito do programa «Criar bosques, conservar a biodiversidade 2008/2012», em Novembro do ano passado este projecto começou a ser falado com a Vodafone, que desde logo abraçou esta iniciativa que vai financiar na sua totalidade, no valor de 150 000 €. “A Vodafone é o mecenas exclusivo deste projecto, vai financiá-lo durante cinco anos nas actividades como a compra do rebanho, as infra-estruturas para o rebanho poder funcionar, o apoio ao pastoreio e a certificação dos produtos regionais que se vão poder, depois, vender de acordo com a parceria que vamos ter com a Terra Chã, nomeadamente o queijo de cabra e a carne de cabrito”, referiu Luisa Pestana.
Para Luisa Pestana ao serem introduzidos todos os elementos para desenvolvimento do programa “potencia-se o desenvolvimento económico-social local e a preservação desta espécie vai ser uma consequência, porque se for interessante economicamente para estes agentes ter as cabras, produzir o queijo, vender a carne certificada de cabrito e tudo aquilo que decorre disso, então todas estas actividades se vão fixar aqui na região e potenciam a sustentabilidade de todo este projecto a partir dos cinco anos, quando a Vodafone o deixar de financiar”. O objectivo é que durante estes cinco anos em que a Vodafone apoia o projecto se vão criando condições, em Chãos, para que depois o projecto seja auto-sustentável e possa continuar.

Para António Frazão, da Cooperativa Terra Chã, este projecto beneficia Chãos por todos os motivos já referidos. Ter o apoio da Quercus e da Vodafone para ser criado um rebanho comunitário leva à perspectiva da criação da carne certificada que pode ser vendida em vários restaurantes da região e em Chãos, o que “vai criar emprego em termos da restauração” sendo depois ali vendidos outros produtos que advêm desta iniciativa, como o queijo e o leite, aproveitando-se para vender o artesanato, ervas aromáticas… Os produtores da região podem também vender ali os seus produtos sem intermediários e a um preço mais justo para o produtor, vendendo “não pela quantidade mas pela qualidade”.

António Frazão pretende ter dois ou três pastores, mas de preferência que saibam comunicar. Assim, e indo ao encontro do turismo de Natureza, quando os turistas quiserem visitar a Rota dos Pastores, os próprios pastores podem explicar a função do rebanho. Se assim não acontecer, não poderá, por exemplo, haver visitas todos os dias, mas só em dias específicos em que irá uma pessoa da localidade, que não seja pastor, servir de guia.

As cabras do rebanho podem também ser “apadrinhadas”. Qualquer pessoa pode pagar como que uma quota, mas em vez de o fazer em dinheiro, fá-lo dando a cabra.

… espera-se que as 50 cabras serranas estejam em Chãos já em Novembro – a bem de todos nesta aldeia da freguesia de Alcobertas, na serra, na região e a bem de uma gralha-de-bico-vermelho com futuro.


Veja o video «Gralha-de-bico-vermelho regressa à Serra dos Candeeiros graças a rebanho comunitário (editado)», em http://a.msn.com/09/pt-pt/AAbYQ1l?ocid=se

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