Ricardo Araújo Pereira na Vila da Marmeleira

Ricardo Araújo Pereira, na Vila da Marmeleira, entre Rui Marcelino (NUPAE) e Teresa Calçada (Biblioteca Popular).

Ricardo Araújo Pereira, na Vila da Marmeleira, entre Rui Marcelino (NUPAE) e Teresa Calçada (Biblioteca Popular).

Ricardo Araújo Pereira esteve na estreia das novas instalações da Biblioteca Popular e do NUPAE.

Foi na tarde de 16 de maio de 2015, data em que a freguesia de Vila da Marmeleira faria 137 anos se não tivesse sido extinta por imposição da Reforma da Administração Local em 2013, que, a estrear as novas instalações da Biblioteca Popular da Vila da Marmeleira e do Núcleo Património de Emoções (NUPAE), no edifício onde antes funcionou a escola primária local, Ricardo Araújo Pereira foi o protagonista de uma animada e bem-humorada conversa com muitos vilamarmeleirenses e pessoas vindas de outros pontos da região.

O ato foi simbólico da abertura de outras novas instalações – as da secretaria do NUPAE, precisamente onde anteriormente se encontrava a Biblioteca Popular, numa dependência da referida escola.

Apresentado por Teresa Calçada, promotora da Biblioteca Popular, Ricardo Araújo Pereira expôs aquilo que será uma parte do seu pensamento sobre a vida e a natureza das coisas, estabelecendo-se de seguida um interessante diálogo entre si e a assistência, também com notas de muito bom humor. Por falar nisso, diríamos até que poderá ter encontrado num menino, cremos que Manuel de seu nome, um futuro “concorrente” no “negócio” do humor.

A brincar, Ricardo Araújo Pereira começou por falar da importância que os livros têm. Para ele, que gosta mais “de palavras do que outra coisa qualquer”, essa importância virá dos tempos de criança quando os pais o mandaram para casa de uma avó, de Viana do Castelo, que ficara viúva cedo, aos 36 anos; “Uma senhora nascida em Viana do Castelo em 1920, quando fica viúva aos 36 anos põe o preto e nunca mais tira e esforça-se para nunca mais sorrir. Para mim, para quem a minha avó era a pessoa mais importante do Mundo – ainda hoje é – fazê-la rir era uma tarefa que eu levava muito a peito, porque o riso não sendo necessariamente alegria engana uma criança, porque parece alegria. De vez em quando, à força de macacadas conseguia fazer rir a minha avó… Dizia-me logo ‘não tens graça nenhuma’ e eu só tinha direito a dois segundos de riso… Isso formou o meu gosto por fazer rir os outros.”

Gostando mais de palavras do que outra coisa qualquer, quase todas as personagens de Ricardo Araújo Pereira “não vivem uma história, contam uma história que viveram” e essa é uma das razões por que “gosto mais de livros do que de cinema”, afirmou explicando porquê: “Eu prefiro que me contem uma história do que ver uma história a desenrolar-se, porque quando me contam uma história eu sei também o que é que a pessoa sentiu.”

“Para mim as palavras são centrais”, enfatiza o guionista e humorista revelando que gosta de exercitar a imaginação lendo, porque não conhece outra forma de o fazer.

Ainda relativamente à leitura, Ricardo Araújo Pereira contou um episódio em que ele próprio foi vítima da sua imaginação. Tendo proposto ao Jornal de Letras, onde então trabalhava, entrevistar a escritora Adília Lopes, de quem gosta imenso, lembrou-se de um poema dela intitulado «Autobiografia sumária», no qual a autora escreve “Os meus gatos gostam de brincar com as minhas baratas”. Quando se encontrou com Adília Lopes disse-lhe, muito entusiasmado, que aquela autobiografia sumária era também a dele; “É o resumo da minha vida, isto é aquilo que em mim é felino, perspicaz, arguto, cruel gosta de brincar com as minhas baratas, ou seja com aquilo que em mim é vil, reles…” Fez-se um silêncio que o Ricardo interpretou como sendo a poetisa a interiorizar a interpretação que ele tinha feito. No fim desse silêncio Adília Lopes disse: “Não… O que se passa é que eu tenho gatos e moro numa casa velha, portanto na cozinha tenho baratas.” O humorista confessou: “Quando ela fez o gesto das patinhas dos gatos eu ia morrendo!”

Esta lição não o impediu, no entanto, de acreditar que é fundamental para qualquer humorista expor os seus gatos a brincar com as suas baratas interiores.

Pode ler este artigo na íntegra, na edição em papel nº 1389, de 22/5/2015, do jornal Região de Rio Maior. 

Categorias:Em Destaque, Rio Maior

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