Tributo a António Feliciano Júnior

Tributo a António Feliciano Júnior (23/2/1924 – 8/2/2017)

Dr. Rui Andrade.

Dr. Rui Andrade.

por: Rui Andrade

Na manhã do dia 8 de Fevereiro de 2017, uma quarta-feira, Rio Maior foi surpreendido pela triste notícia do falecimento de António Machado Feliciano Júnior, que há cerca de três semanas se encontrava internado, em estado crítico, no Hospital Distrital de Santarém. O facto foi noticiado na última edição deste jornal (nº 1479, de 10/2/2017) do qual foi director durante longos anos.

Impõe-se, nesta hora do seu desaparecimento físico, que lhe prestemos o tributo que lhe é devido. Curvando-me respeitosamente perante a sua memória, procurarei dar o meu modesto contributo, evocando o seu longo percurso de vida (faria 93 anos no dia 23 de Fevereiro) com grande dedicação à comunidade riomaiorense.

António Feliciano Júnior, nas instalações do jornal Região de Rio Maior, no dia em que fez 90 anos.

António Feliciano Júnior, nas instalações do jornal Região de Rio Maior, no dia em que fez 90 anos.

António Machado Feliciano, nasceu em Rio Maior, em 23 de Fevereiro de 1924, filho de António Machado Feliciano e de Laurinda Barbosa e, dado ter o nome igual ao de seu pai, que era aliás também o nome de seu avô, e para que se não confundissem, adicionou o apelido de Júnior. Aqui fez a instrução primária, tendo frequentado depois (entre 1936 e 1939) a Escola Comercial Municipal, instituição fundada em 1924 por um grupo de voluntários sob a direcção do grande pedagogo que foi o Dr. Augusto César da Silva Ferreira.

António Feliciano, ainda muito jovem, tinha apenas 18 anos, entra para o quadro docente da Escola Comercial, onde inicialmente leccionou Caligrafia, sem remuneração, como acontecia com todos os professores. Mais tarde leccionou diversas outras cadeiras – dactilografia e estenografia.

Tendo abraçado a profissão de seu avô e seu pai – a de alfaiate –, desempenhou esta actividade, concomitantemente com a de desenhador, tendo feito os projectos de muitas moradias, em Rio Maior e seu concelho.

No campo do ensino foi durante longos anos professor da Escola Comercial Municipal de Rio Maior e, mais tarde, também do Colégio Luís de Camões (que habilitava para o ensino liceal). Fez o estágio para professor efectivo do ensino secundário na Escola Secundária Ginestal Machado, de Santarém, tendo pertencido mais tarde ao Conselho Directivo da Escola Secundária de Azambuja. De salientar uma sua grande paixão – a fotografia – que transmitiu a muitos riomaiorenses. No tempo em que em Rio Maior não havia qualquer fotógrafo, Feliciano Júnior fez muitas reportagens de casamentos e outros eventos, bem como fotos para bilhetes de identidade. Na área da fotografia, concorreu a muitos Salões Nacionais de Fotografia e realizou também muitas exposições individuais. De realçar o Salão Internacional de Fotografia de Portalegre, já lá vão muitos anos, em que obteve o primeiro prémio com um júri constituído pelo grande escritor José Régio, grande vulto da literatura portuguesa, professor do Liceu Nacional daquela cidade, Manoel de Oliveira, prestigiado realizador de cinema e ainda o pintor daquela cidade João Tavares que, curiosamente, tem um filho que reside em Rio Maior – o Arquitecto Rolo Tavares.

Em 1952 começou a florescer em Portugal o movimento cine-clubista. Depois dos grandes centros: Porto, Lisboa e Coimbra, surgiu o Cine-clube de Rio Maior, do qual Feliciano Júnior foi co-fundador, organismo que teve importante acção cultural em Rio Maior. Para além das sessões mensais, o cine-clube realizou cinco bienais de cinema de amadores (8 mm) e, nos anos intercalares, salões de fotografia, cuja execução pertencia ao grande mestre de fotografia Feliciano Júnior. O cine-clube produziu filmes de 8 mm, entre os quais «As Pupilas do Sr. Prior», baseado no romance de Júlio Diniz, em que além do mais, Feliciano Júnior protagonizava o papel de “Daniel”. Em 1960 foi produzido o filme sonoro em 16 mm «Sal sem Mar», com fotografia de Feliciano Júnior.

Em 1956 surge uma nova colectividade em Rio Maior – o Círculo Cultural de Rio Maior, entidade tutelar do Coral e Orquestra Folclórica de Rio Maior, sob a direcção de António Gavino. António Feliciano está na primeira linha dos participantes nesse grande agrupamento musical, como coralista e também como seu apresentador.

Quando em 1977, surge o Coral e Orquestra Típica de Rio Maior, sob a direcção do Maestro riomaiorense António Varela, temos também António Feliciano a dar a sua colaboração a este novo agrupamento musical, que tão longe levou o nome de Rio Maior e que mais tarde passou a ser dirigido pelo Maestro António Gavino.

Foi sócio fundador da Associação Cultural do Concelho de Rio Maior, fundada em 1979, a cuja primeira direcção pertenceu, entidade tutelar do Coral e Orquestra Típica de Rio Maior e da Biblioteca Municipal e que apoiou os Encontros Nacionais de Coleccionismo, de sua iniciativa e que está hoje enquadrado na Frimor – Feira Nacional da Cebola. Realizou-se em 3 de Setembro de 2016 o XXIX Encontro Nacional de Coleccionadores Prof. Feliciano Júnior.

António Feliciano Júnior foi Vereador da Câmara Municipal de Rio Maior, na vereação da presidência do sr. Major Cabral de Quadros, nos finais da década de quarenta do século XX.

Fez parte de diversos grupos que dinamizaram em Rio Maior as actividades teatrais, de que se destaca a participação no grupo cénico Zé Pereira, sob a direcção de Ernesto Alves, de tão gratas recordações. Data de 1946 a revista local «Quem semeia ventos…» da autoria de Feliciano Júnior e Heitor Couto, com música de Alves Coelho, filho.

Foi membro fundador da Conferência de S. Vicente de Paulo e, como Irmão da Santa Casa da Misericórdia pertenceu durante largos anos aos corpos sociais desta instituição, até Dezembro de 2009.

Uma outra faceta da vida de António Feliciano – o jornalismo. A 3ª série de «O Riomaiorense», que surgiu em Fevereiro de 1949, fundada por Armando Pulquério, contou, além de outros, com a colaboração de Feliciano Júnior, Fernando Duarte e João Lopes.

Recorde-se ainda que em 1951 foi publicado o livro de Fernando Duarte «RIO MAIOR – Estudo da vila e seu Concelho» cujo interessante desenho da capa é da autoria de Feliciano Júnior.

Foi membro da Comissão Fabriqueira da Igreja Nova de Rio Maior.

Pertenceu também durante muitos anos aos corpos sociais da Associação dos Bombeiros Voluntários de Rio Maior, de cuja mesa da Assembleia Geral, foi secretário.

Foram inúmeras as exposições que realizou ao longo da sua vida, abarcando os mais diversos temas, sempre com uma excelente qualidade. Nos últimos anos essas exposições foram levadas a cabo na Biblioteca Municipal de Rio Maior, permitindo-me destacar a exposição que promoveu em Outubro de 2010 assinalando o 1º Centenário da implantação da República, exposição que António Feliciano gentilmente disponibilizou à Associação H2O, da freguesia de Arrouquelas, em Dezembro desse ano, onde foi então homenageado por essa dinâmica associação.

É bom que façamos uma reflexão sobre a vida do nosso amigo António Feliciano que, ao longo de décadas esteve ligado a quase todos os eventos da nossa comunidade nas mais diversas áreas, na área social, assistencial, actividades recreativas, na área da cultura à qual deu um valioso contributo.

António Feliciano é credor da admiração, do reconhecimento e da gratidão da comunidade riomaiorense que muito lhe deve.

Obs.: este texto não respeita o Acordo Ortográfico.

Nota: Com exceção, no início, de pequenas adaptações temporais, este texto foi publicado na edição nº 1480, de 17/2/2017.

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