Uma holandesa de Poortugaal…

Uma holandesa de Poortugaal que se sente… portuguesa

Dinek van der Ent, a holandesa de Poortugaal que se sente portuguesa.

Dinek van der Ent, a holandesa de Poortugaal que se sente portuguesa.

Poortugaal não é uma forma caprichosa que a Dineke (Dina, por cá) tem de escrever Portugal. Ela é mesmo de lá, de Poortugaal, na Holanda! A grafia permite que o nome da sua terra soe mesmo a Portugal.

bandeira_Poortugaal

Mais: os símbolos heráldicos da sua cidadezinha de cerca de 9 500 habitantes, próximo de Roterdão, têm tudo a ver com Portugal – o nosso. Como a bandeira nacional portuguesa, a bandeira de Poortugaal é bicolor, retangular com um campo desigual mas em vez de verde na tralha (do lado do mastro portanto) ostenta amarelo sendo também de cor vermelho na batente. O brasão tem o formato do escudo português mas todo vermelho e com os cinco escudetes ou quinas todas em amarelo (ou dourado), assentando numa estrela de oito pontas de cor azul ultramarino centrada no limite das cores da bandeira, a uma distância igual das bordas superior e inferior.

brasao_armas_Poortugaal

O brasão de armas de Poortugaal é todo vermelho nele assentando em cruz os cinco escudetes da bandeira todos de amarelo (ou dourado), ostentando cada um deles cinco estrelas de seis pontas de cor azul a fazer lembrar os trinta dinheiros por que Cristo foi vendido aos romanos e que se representam na nossa bandeira por pequenos círculos brancos em cada quina… de cor azul! Intriga-nos o facto de as estrelas serem de seis pontas, a fazerem lembrar, vagamente, a estrela judaica de David, pois não é verdade que principalmente desde D. João II a D. Manuel I os judeus em Portugal passaram “as passas do Algarve” acabando os que não se converteram por ser expulsos em 1496 por decreto daquele último monarca e fugindo quase todos os outros depois da matança dos “hereges” de 19 a 21 ou 22 de abril de 1506 em Lisboa, sendo que muitos deles, certamente os mais “capazes” partiram para a Holanda?… Mas será com certeza apenas uma inquietação nossa de coca-bichinhos quanto à origem remota do símbolo que pode até nem ter nada a ver com os trinta dinheiros e menos ainda com a estrela de David, embora a história de Poortugaal date do século XV… Concluindo a descrição do brasão da cidade holandesa diremos que o mesmo é encimado por uma coroa de infante ou coroa real aberta, amarela (ou dourada) carregada com pedras preciosas e pérolas.

Poortugaal, situada entre a zona portuária de Roterdão e o rio Oude Mass – daí estar generalizado entre os naturais que terá tido origem na frequência do local por comerciantes e marinheiros portugueses que ali se deslocavam em viagens de negócios em seus barcos à vela, acabando muitos por lá se fixarem e constituírem família –, começou por ser uma povoação agrícola cultivando os habitantes linho, verduras e árvores de fruto. Hoje em dia a maioria trabalha em Roterdão, enorme urbe à qual se liga por metro possuindo mesmo estação própria. Em 1 de janeiro de 1985, Poortugaal fundiu-se com Rhoon para formar o município de Albrandswaard.

Conheci Dinek no último domingo das Tasquinhas de Rio Maior 2017, na tasquinha do Centro Social de S. Domingos da Freguesia de Asseiceira, onde almoçava com o seu companheiro, o professor de Música António Moreira, da Escola de Música da Freguesia de Asseiceira, num círculo de amigos que têm em comum entre si uma profunda admiração pelo legado de Zeca Afonso tendo decidido constituir, naquele mesmo dia, o Núcleo José Afonso de Rio Maior. O próximo objetivo é criar um núcleo idêntico em Poortugaal daqui a um ano.

Em 2002, “quando desembarquei pela primeira vez no aeroporto de Lisboa senti a estranha sensação de estar na minha terra Exclamei: Estou na minha terra!…”, conta-me Dinek. “O meu irmão, já falecido, sempre disse – esta é a minha terra, sinto-me português”. Uma sensação despertada por puro acaso ou porque há razões que a razão desconhece? Ela não faz ideia se tem ascendência portuguesa e se a tem se porventura será judaica, mas sabe que existem naquela zona cemitérios judeus.

Há 11 anos, quando vieram para Portugal, Dina e o marido, este já reformado e que entretanto faleceu, fixaram-se em Óbidos onde compraram casa; de vez em quando ela vai à terra visitar a mãe. Em Óbidos, quando se foi registar, apresentou o passaporte e como este referisse Poortugaal houve quem achasse que poderia ser falso. “O passaporte é holandês mas você é portuguesa”, apontaram, ao que respondeu “Não! Eu sou de Poortugaal lá da Holanda, com dois «oo» e dois «aa».” A pessoa que a atendia levou-lhe o passaporte, decerto para se aconselhar sobre o assunto com quem de direito, deixando-a à espera durante três horas. Na escola onde se inscreveu para aprender Português também lhe disseram que não precisava de ter aulas pois se era portuguesa… Dineke sabe desde a infância que o nome da sua terra natal tem origem portuguesa, de resto evidente nos seus símbolos heráldicos. Além disso a origem da cidade é explicada às crianças na escola.
Dineke adora o fado; tem no fadista Emanuel Soares “um bom amigo”.

Texto e fotos: Carlos Manuel

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